A filósofa Ada C. recentemente me disse: “Pior mesmo é se a gente troca os sonhos por planos... profissionais, pessoais etc.” Compreendo bem o que ela quer dizer, pois é o que tenho feito, impulsionado pela necessidade. Quase ao mesmo tempo a rainha Nefertiti twitava seu desejo em retomar o rumo de seus antigos sonhos.
A vida faz de nós o que quer, com algumas pitadas de ironia ou sadismo. No meu caso, deu-me coisas maravilhosas com as quais eu nunca sonhara (como ter filhos, por exemplo). Por outro lado, negou-me o sonho mais básico de qualquer ser humano (embora alguns não sejam capazes de defini-lo antes dos 30).
Não se pode ter tudo, me dirão. É verdade. E eu, especialmente eu, não tenho o direito de reclamar da sorte pois, mesmo quando esta me derrubou, foi para me colocar num plano mais seguro. Embora levado pelo destino em alguns momentos, sou o único responsável pelos meus fracassos. Mas o sonho que não realizarei... Ah! Como me pesa o vazio deste sonho!
sábado, 15 de maio de 2010
domingo, 11 de abril de 2010
Dilma Roussef também não sabe falar
Em um discurso recente em Minas Gerais, Dilminha paz e amor mostrou mais uma vez sua capacidade de falar sem dizer nada. Dentre as pérolas daquele discurso (onde trocou até o nome da cidade onde estava), destaco dois parágrafos (os erros de português são da autora):
“Sem sombras de dúvidas, a casa é o lugar mais sagrado onde a gente tem condição de construir uma coisa que protege cada um de nós e que faz com que cada um de nós não esteja sozinho no mundo, é a primeira coisa que é a família”
“O presidente Lula foi o primeiro presidente que depois de mais de 25 anos, mais de 30 anos, voltou a tratar a questão habitacional como uma questão importante. No passado, trataram um pouco a questão habitacional como uma questão importante mas não fizero olhando os mais pobres, fizero olhando os remediados, uma classe média”.
Trinta anos, é? Então, ela concluiu que os últimos presidentes que se preocuparam com a questão habitacional foram os militares.
“Sem sombras de dúvidas, a casa é o lugar mais sagrado onde a gente tem condição de construir uma coisa que protege cada um de nós e que faz com que cada um de nós não esteja sozinho no mundo, é a primeira coisa que é a família”
“O presidente Lula foi o primeiro presidente que depois de mais de 25 anos, mais de 30 anos, voltou a tratar a questão habitacional como uma questão importante. No passado, trataram um pouco a questão habitacional como uma questão importante mas não fizero olhando os mais pobres, fizero olhando os remediados, uma classe média”.
Trinta anos, é? Então, ela concluiu que os últimos presidentes que se preocuparam com a questão habitacional foram os militares.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Lula admite o óbvio!
"Se eu tivesse ganho a eleição em 89, com a cabeça que eu tinha na época, ou teria de fazer uma revolução ou caía no dia seguinte..." (Em entrevista ao Estado de São Paulo).
Pois é... Lembro bem daquela eleição. Nunca a militância do PT se mostrou mais agressiva. No Rio de Janeiro, automóveis com adesivos de outros candidatos eram estapeados na praia de Copacabana por piquetes de lulistas enlouquecidos, que bloqueavam a avenida. Eu fui parado por um grupelho, perto da minha zona eleitoral, e sofri ameaças quando disse que tinha acabado de anular meu voto, no segundo turno. O muro de Berlim estava caindo e eles, no entando, não conseguiam tirar disto qualquer lição.
Se há algo de bom que eu possa dizer do presidente Lula, é que ele é bem menos tolo hoje do que em 1989. Já a Dilma Rousseff... Esta é um mistério, uma radical do passado sobre a qual nada sabemos. Vamos torcer para que, quando ela vier a se "abrir" na presidência, não seja uma caixa de Pandora.
Pois é... Lembro bem daquela eleição. Nunca a militância do PT se mostrou mais agressiva. No Rio de Janeiro, automóveis com adesivos de outros candidatos eram estapeados na praia de Copacabana por piquetes de lulistas enlouquecidos, que bloqueavam a avenida. Eu fui parado por um grupelho, perto da minha zona eleitoral, e sofri ameaças quando disse que tinha acabado de anular meu voto, no segundo turno. O muro de Berlim estava caindo e eles, no entando, não conseguiam tirar disto qualquer lição.
Se há algo de bom que eu possa dizer do presidente Lula, é que ele é bem menos tolo hoje do que em 1989. Já a Dilma Rousseff... Esta é um mistério, uma radical do passado sobre a qual nada sabemos. Vamos torcer para que, quando ela vier a se "abrir" na presidência, não seja uma caixa de Pandora.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Viagem a Cunha
Há muito tempo nas águas da Guanabara, quando as pessoas de bem ainda amarravam cachorro com linguiça, meu mano era oficial do Corpo de Fuzileiros Navais. Ano? 1993 ou 94, presumo. Recebeu a missão de escrever um artigo sobre a participação do CFN no ataque a Cunha, a partir de Paraty, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Como todo Cunha que se presta, levou a coisa a sério e se apaixonou pelo tema. Queria examinar o local, para entender melhor o que se passara e conhecer um professor da região, que tinha um pequeno museu.Recebeu para tanto um jipe, dois soldados, um detector de metais e ainda levou mão de obra barata (eu, minha futura patroa e sua 17ª noiva). Fomos muito bem recebidos na cidade, pelas mocinhas francesas, jovens polacas e por batalhões de mulatas. Com a ajuda do tal professor, descobrimos as linhas de trincheiras paulistas, que ainda são perceptíveis, embora o tempo as tenha deixado com poucos centímetros de profundidade. Usamos o detector de metais para explorar rapidamente estes locais e o ponto onde teria havido um combate, junto a um córrego. Encontramos um pedaço de fuzil daquela época e um leão de metal de meio palmo de tamanho. O leão, ao que parece, não tomou parte nos combates, mas, afirma, também não se acovardou. O artigo foi publicado e virou referência em um livro que trata de batalhas brasileiras. Foi, realmente, uma viagem bem interessante, dentre muitas que fiz naquela época saudosa em que a vida ainda me pertencia.
Mas faz muito tempo...
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Natal Azedo

Vou te contar um segredo: eu não gosto do Natal. É uma data que, por si só, me deixa deprimido. Seria legal ver a família toda reunida, como ontem. Meus pais vivinhos, meus irmãos, esposa, cunhada, minhas filhas e todos os sobrinhos. Tão raro vê-los todos juntos! Mas não gosto de participar disto. Queria poder ver de longe, como quem assiste um filme. Acho que são muitas expectativas das crianças, muita voracidade alimentar de alguns adultos, muita ansiedade das cozinheiras da família (em busca da justa aprovação), além da escolha das roupas, dos penteados das crianças, dos vestidinhos que resolvem não caber no último instante... Parece aqueles filmes embolados de baixo orçamento, em que o câmera vai andando pela sala apertada, fazendo a imagem tremer. Ouve-se conversas pela metade, flagra-se pessoas fazendo comentários cruéis, às vezes contra você...
Tudo isto, que acontece todos os anos, já tinha sido suficiente para eu me jogar de roupa na cama, duas horas antes da ceia, e torcer para ser esquecido ali. Mas, para dar à noite um toque inesquecível, resolveu meu pai dar um esporro monumental na minha filha mais velha, na hora em tudo já se apagava. Um esporro daqueles que eu, até os 12 anos, levava uma vez por semana. Alto, berrado, desproporcional ao "crime" cometido, humilhante. O tipo de "souvenir" que ninguém quer levar de uma noite de Natal. Não culpo tanto o velho, como não posso culpar um urso de circo que um dia resolve se lembrar que é um urso e devora alguém da platéia. Ele agiu segundo a sua natureza. Eu o amo profundamente e passamos maravilhosos momentos nos últimos anos. Sei que ele estava cansado, com sono, tinha comido muito mais do que a sua diabetes recomenda. Mas foi, realmente, muito triste para mim e para minha esposa vermos nossa filha ser humilhada na noite do amor, da família e da fraternidade.
Não vou brigar com o meu velho, mas hoje pretendo ficar aqui no meu canto, longe do enterro dos ossos, longe do “espírito natalino”.
É isto...
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Ecologista Radical
Eu estou ficando um especialista em cocôs, tanto quanto ao cheiro e à "cara" deles. É que minha filha caçula, que tem seis anos e é extremamente teimosa, resolver salvar a água do planeta economizando descargas!
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Novo mundo, novos hábitos
Quando o José me viu, na sala dos professores, colocou a mão para trás e disse:
- Desculpe se não te cumprimento, Marcos. É que minha mão está suja de giz.
- Que é isso, Zé! Em época de gripe suína, é melhor deixar a mão no bolso.
Ele ficou levemente constrangido ao se ver pego na "mentira" e defendeu-se:
- É que eu tenho criança pequena em casa...
Então é isto. Oferecer a mão a um amigo, em tempos de pandemia, virou um ato deselegante. É como apontar uma arma. Aqui em Curitiba, onde mais de trinta já morreram, justifica-se. Espirrar, então, é coisa que merece o maior repúdio. "Vá espirrar na PQP" - parecem dizer os olhares de reprovação.
Janelas abertas, por favor! Ainda que a corrente de ar gelado possa te matar de outra coisa.
Na faculdade, assiste-se ao ato quase religioso de, na passagem pelo bebedouro, apertar a caixinha com alcool gel, como quem mergulha os dedos em uma água benta antes do combate.
Pessoas mascaradas andam pelas ruas, sem qualquer constrangimento, enquanto os Shoopings Centers vivem às moscas.
Quem quer ir ao cinema?
Deixei as balas perdidas do Rio de Janeiro, para viver na pacata Curitiba outro "jogo", outra loteria. A loteria (sem maudade) dos perdigotos.
Espero poder rir disto tudo no próximo verão. Mas, para dezenas, o mundo já acabou.
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