segunda-feira, 29 de junho de 2009
Rousseau Ensina
terça-feira, 9 de junho de 2009
Uma Questão Delicada
O filme pode ser visto pelo seu ângulo masculino ou feminino e tem interessantes histórias paralelas. Mas o que quero mesmo é salientar o conflito interno de Carlo ( Stefano Accorsi ).
Carlo namora e vive com Giulia ( Giovanna Mezzogiorno ) há cerca de três anos. Ela é uma moça alegre, simpática e que nutre uma paixão saudável por ele. O filme se esforça para não mostrar qualquer defeito dela, o que torna a questão mais interessante.
Pois bem... Giulia, inesperadamente, fica grávida. Imensamente feliz, ela corre para compartilhar esta bela novidade com toda a família. É um sonho que se torna realidade.
Diz a lógica que Carlo também deve demonstrar grande alegria, certo? Afinal, ele a ama e eles são felizes juntos. Então, ele tenta ficar feliz, ele tenta sentir e transmitir esta "felicidade".
Ocorre que homens e mulheres são diferentes! Mesmo amando Giulia, ele tem o direito de não ficar saltitante com esta gravidez não programada.
Muitos homens sonham em ter filhos e ele provavelmente não é exceção. Mas nossos hormônios, nossos instintos, não fazem disto a razão de nossas vidas. Nem entramos em parafuso aos 30 anos se a cegonha deixa de bater na nossa porta.
Então, é natural que Carlo reflita e tenha reações ambíguas, como uma mudança que traz também aspectos negativos. Em suma, é seu direito ficar deprimido. E ele fica. E ele tenta se sentir jovem novamente... e ele troca os pés pelas mãos!!!
Bobamente, envolve-se com uma ninfeta de 18 aninhos e... Não vou contar. Vejam o filme.
O que quero, apenas, é fazer uma advertência às mulheres (mesmo sabendo que serei apedrejado). Se o seu namorado não está pulando de alegria porque você, acidentalmente, ficou grávida, isto não significa (necessariamente) falta de amor. Não faça ele se sentir culpado por estar confuso, perplexo. Tente imaginar que ele, provavelmente, tinha outros planos para a vida. É claro que o bebê não foi gerado por partenogênese (ou pelo “Divino Espírito Santo”), mas tente ter um pouco de sensibilidade. Para ele também será um grande desafio.
sábado, 30 de maio de 2009
Como vai o nosso Imperador?
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Liberdade é...

- A culpa não é da empresa, senhor. São questões climáticas. O Sr. deve ter notado a forte neblina quando chegou – respondeu, educadamente, a atendente da companhia aérea.
Ela detestava o vôo das 8:30 pois, naquela cidade, era comum a ocorrência de densas neblinas pela manhã.
Os passageiros estavam nervosos na fila do check in. As horas seguintes prometiam ser infernais.
O próximo da fila era um homem alto de terno. Seus olhos claros e o cabelo castanho, meio bagunçado, davam-lhe um aspecto de Bill Gates. Ele entregou sua identidade, sem dizer palavra.
- O Sr. Vai para o Rio?
- Isso.
Ela respirou fundo e, tentando se sentir uma máquina insensível, prosseguiu:
- Ocorre que este vôo foi cancelado. Estarei transferindo o Sr. Para o vôo das 12:10.
- Tudo bem! – reagiu ele, com um sorriso que a desconcertou. Ele, sentindo que aquela reação não era a esperada, completou:
- A vida é assim mesmo.
Ele tomou o cartão de embarque, passou entre um grupo de passageiros descontentes e seguiu para a livraria do aeroporto com um semblante satisfeito.
Eram sete e trinta da manhã e ele estava com sono. Mas, pelas próximas horas, sozinho naquele lugar, ele estaria cortado do mundo, inalcançável, sem qualquer responsabilidade ou cobrança, sem acesso à internet e, melhor ainda, podendo colocar a “culpa” por isto na empresa aérea.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Meu dedo na História
Revirando as gavetas, achei finalmente esta foto... da minha adolescência "rebelde". Depois tenho que mandar para a Ada. Sobre este incidente, eu escrevi, há alguns anos:Eu estava em uma das colunas de manifestantes que marchavam pela capital. Cursava então a classe de seconde do Liceu François Villon, um estabelecimento público dos menos renomados. Creio que quarenta por cento dos alunos eram filhos de imigrantes pobres de lugares tão díspares quanto o Irã, a China, a Polônia e o Vietnã. Ainda assim, na democracia francesa, poucos ousavam questionar o direito deles tomarem as ruas naquele dia.
Nas manifestações, alguns de nós tinhamos funções especiais. Um grupo com braçadeiras brancas respondia pela segurança, impedindo que agitadores alienígenas se infiltrassem. Naquele dia eu era um balizador (vide foto). Minha missão era interromper o tráfego das ruas transversais para viabilizar o avanço da massa. De repente a coluna se viu diante do presídio de “La Santé”. Lembro-me imprecisamente de um muro alto atrás do qual se via uma grande fachada salpicada de janelas com grades.
Sob a orientação de seus líderes a longa serpente humana interrompeu o passo e começou a gritar:
“La Santé avec nous ! Vos enfants sont concernés !
(La Santé conosco, seus filhos estão envolvidos !)
A fachada sombria, por tantos anos em silêncio, não demorou a responder. De dentro os homens bateram as canecas nas grades e piscaram as luzes de suas celas. Aquela malta enjaulada juntava-se a nós e nós agora a amávamos como se não tivesse mais pecados. Respondera talvez por seus filhos ou talvez pela oportunidade de expressar alguma coisa através daquelas barras de ferro.
Alguns dias depois, na madrugada de 6 de dezembro, a polícia francesa assassinou à golpes de cassetete o estudante Malik Oussekine. Ele nem mesmo fazia parte das manifestações, mas foi confundido com um grupo que fugira da repressão policial. Foi pego tentando entrar em seu edifício e morreu no hall. Número 10 da rua Monsegneur le Prince. Ironicamente, seu nome significa príncipe, em árabe. Rebatizamos então a rua de “Monsegneur le Prince Malik”, a cobrimos com flores e bilhetes de revolta, para depois irmos à porta da prefeitura gritar:
“Malik est mort, assassiné !”
No dia 8 o projeto do governo foi retirado e dois dias depois sepultamos simbolicamente nosso mártir. No peito, por alguns dias, levamos o lema “Plus jamais ça!” E eu, que poucas semanas antes iniciara um curioso romance, já não podia mais ver na bela parisiense algo que pudesse se comparar às emoções da “primavera de novembro”.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
O Nome da Coisa

Se quiserem, busquem na internet um nome mais científico. Podem também tentar destruir toda a beleza, atribuindo a uma substância química do cérebro o maravilhoso efeito deste processo. Eu, que o vivi algumas vezes, chamo-o de Euforia.
Em alguns apenas ocorre no amor novo, recém conquistado, quando tudo é novidade. Raros são os casais que a mantém por longos anos. Muito infelizes se tornam aqueles, que, tendo se acostumado com a sensação de Euforia, perdem repentinamente aquela pessoa capaz de produzir o efeito.
Não! Euforia em nada se assemelha ao orgasmo! Orgasmo é coisa banal, tanto que pode ser obtido sozinho. A Euforia pode ser alcançada com um olhar, uma mão na cintura, um toque na nuca. É quando o mundo se apaga, os sons se calam e a alma flutua. Nela se desconhece o perigo e a única urgência está diante de ti, em forma de lábios.
Tive-a, pela primeira vez, muito jovem. Eu ainda um adolescente, ela já uma mulher. Tê-la era algo inimaginável. “Muita areia para o meu caminhão” - eu dizia e, por isto, nem tentava. Foi a iniciativa de uma amiga que me abriu os olhos para o fato de que o desafio não era impossível. Convidei-a para me acompanhar em um baile de formatura...
A grande Euforia que eu guardo daquela noite não foi o primeiro beijo. Foi, sim, quando ainda estávamos no banco de trás do carro e eu (muito timidamente) segurei sua mão. Ela nada disse. Apenas entrelaçou seus dedos aos meus e, ali, tive a certeza de que ela era minha.
O casamento tem coisas maravilhosas. Recomendo aos homens, depois dos trinta. Companheirismo, cumplicidade, transmissão de pensamento, amor. Mas, certamente, não é o terreno fértil para a Euforia. Aliás, acho que não há terreno que baste para ela. A Euforia é uma planta nômade.
[O quadro é de Gustav Klimt - "O Beijo" - um dos meus pintores preferidos]
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A Primeira Lei do Amor

